Primeiro de maio em Curitiba relatado por trabalhadores

Uma comitiva das Missões e de Ijuí participou do ato na capital paranaense. Confira o relato

A rotina do acampamento em Curitiba começou, no dia 1º de maio, às 5h30, quando os primeiros ônibus, vindos de diversos lugares do País, começaram a chegar. Na tarde do dia anterior, um ônibus azul e branco da empresa Santos saiu de São Luiz Gonzaga e passou  por Sete de Setembro, Santo Ângelo e Ijuí para embarque dos 44 passageiros que tinham como destino final a capital paranaense. A viagem, de 17 horas, era apenas o início de uma jornada que ficará para sempre marcada na memória dos viajantes da região das Missões e de milhares de outros que participaram, na tarde do dia seguinte, de um dos maiores atos organizado por sete centrais sindicais, pelos partidos de esquerda e movimentos sociais, para comemorar as lutas e conquistas de trabalhadores, denunciar a prisão política do ex-presidente Lula, e protestar contra os ataques a direitos sociais e trabalhistas que atingem milhões de brasileiros. “Foi um momento histórico estar, no Dia dos Trabalhadores, em uma manifestação tão importante para o nosso País. Mesmo com a grande distância, temos a sensação do dever cumprido pela democracia”, avalia o jovem Leonardo Vargas, de São Luiz Gonzaga, que viajou 850 km para participar do evento.

Comitiva da região das Missões viajou a Curitiba para ato de 1º de maio | por Leonardo Vargas

Durante o café coletivo organizado no acampamento pró-Lula, em Curitiba, muitas pessoas se serviram de frutas, café com leite, pão com mortadela. Mas quando a fila alcançou quarteirões, o pessoal do acampamento passou para oferecer os alimentos aos trabalhadores, jovens, adultos e idosos, que aguardavam a sua vez. Era possível sentir o clima de solidariedade e apoio que movimentava o grande número de pessoas reunidos no local. Por volta das 8h, quando a comitiva das Missões chegou à cidade, as pessoas se deslocaram do acampamento para a primeira caminhada do dia, que durou cerca de 30 minutos, em direção à sede da Polícia Federal, para o “bom dia, Lula”.

 Café coletivo foi organizado pelos apoiadores no acampamento pró-Lula

Ainda no acampamento, muitas pessoas chegavam, havia grupos em reuniões, grandes filas para as pessoas se alimentarem, moradores das redondezas abriram suas casas para o pessoal ir ao banheiro, vendedores ambulantes e coletivos de jornalistas, muitas pessoas trabalhando, fazendo e dando entrevistas, “um cenário vivo, de algo vibrante”, relembra a jornalista Miriam Santini de Abreu, que viajou de Florianópolis a Curitiba para participar e cobrir o evento. Por volta do meio-dia, os ônibus começaram a lotar novamente para o pessoal se deslocar até a Praça Santos Andrade, onde as atividades teriam início às 14h. Mas o trajeto, de 7,7 km, entre a sede da PF e a praça, “foi percorrido a pé por muita gente”, destaca Miriam.

Miriam Santini de Abreu esteve no acampamento com seu companheiro Lino Peres, para participar e cobrir o evento | por Miriam Santini de Abreu

Outras pessoas chegaram de suas cidades e foram diretamente à praça, no centro de Curitiba, nas proximidades do edifício central da Universidade Federal do Paraná. O local foi palco do grande ato de 1º de maio que, durante toda a tarde, foi marcado por inúmeras falas, apresentações artísticas, palavras de ordem, música e muita empolgação. Dentre as manifestações naquele dia, Fabiano Leitão chamou a atenção em frente ao prédio da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, ao tocar com seu trompete “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, retomando o som que ficou conhecido no dia 07 de abril, nos manifestos contra a prisão do ex-presidente. Outro momento que emocionou aos presentes foi a chegada das pessoas do acampamento na praça.

O trompetista Fabiano Leitão (Foto Miriam Santini de Abreu) se destacou com o seu manifesto | por Miriam Santini de Abreu

Vídeo de Marcionize Bavaresco

O ônibus com a comitiva das Missões retornou de Curitiba no final da tarde, chegando à região somente no outro dia pela manhã, para que todos fossem trabalhar. A vereadora Ana Barros (PT), que participou da jornada, afirma que mesmo com o cansaço, a sensação é de leveza. “Lutamos pelo nosso Brasil. Queremos manter os programas sociais. É triste que tenhamos que lutar pelo mínimo aos trabalhadores, sendo que poderíamos estar já discutindo outras lutas. Mas não iremos desistir”, ressalta. 

 

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