“Deixem-nos trabalhar”: é só o que pedem as mulheres jornalistas

Por Amanda Lima

Minha carreira no Jornalismo,ainda que muito recente (seis anos), já registra inúmeras situações as quais se eu fosse homem, jamais enfrentaria. Assim como eu, várias outras jornalistas já sofreram o mesmo e coisas piores por, simplesmente, serem mulheres jornalistas. Atualmente, falar sobre o assédio e preconceito que sofremos na profissão é quase um “mais do mesmo”, recorrendo ao clichê. Mas nossas vozes precisam, com urgência, serem amplificadas.

Com uma proposta parecida com a campanha #jornalistascontraoassédio, a #deixaelatrabalhar surgiu com o mesmo objetivo: que possamos trabalhar com tranquilidade. Vejam, não estamos pedindo muito, não é?

Com projeção nacional, esses movimentos também são nossos, das profissionais que não estão em grandes redações, mas que sofrem o mesmo, todo o dia. Também lutamos todo o dia.

É necessário que as pessoas entendam, de uma forma ou de outra, que não há mais espaço para o machismo no trabalho, seja ele qual for. Já estamos em 2018. Não há o que se classificar em trabalho para homens ou mulheres. Não há argumentos que sustentem que “esporte” ou “policial” não sejam editorias para mulheres. Não há mais espaço para o preconceito e a misoginia. Mas sabemos que eles estão presentes e ainda teremos sua incômoda presença por um tempo.

Mais eficaz que leis contra as agressões, sejam de qual natureza forem, a melhor saída é o entendimento da sociedade, principalmente dos homens, de que só queremos trabalhar. Queremos frequentar estádios, ginásios, delegacias, prefeituras, câmaras, todos os ambientes, de forma segura e respeitosa, sem ter medo ou receio. Sem agressões, sem piadas ofensivas, sem comentários sobre a roupa que vestimos. Só queremos colocar em prática aquilo que estudamos, só queremos fazer Jornalismo. Por favor, não tentem nos impedir. Não deixaremos!

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