1º de Maio: dia de resistir à retirada de direitos trabalhistas

Lideranças sindicais de Ijuí e região avaliam que momento é de luta contra os retrocessos da Reforma Trabalhista

A história de lutas dos trabalhadores é de resistência, sangue e muito suor. Há mais de um século tem sido assim, principalmente desde que o Dia Mundial dos Trabalhadores foi criado em 1889 por um congresso da Internacional Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Essa herança de lutas por direitos segue desde então e continua cada vez mais necessária, mesmo em 2018.

Trabalhadores reunidos em Curitiba – dia 1º de Maio de 2018 / Foto: Caco Argemi

Após pouco mais de uma década de avanços em políticas públicas no Brasil, com o golpe contra a Presidenta eleita Dilma Roussef, o povo brasileiro vem sofrendo, de 2016 para cá, os efeitos de uma agenda ultraneoliberal extensa, de retrocessos. Esta agenda é a conta que os golpistas devem entregar ao mercado financeiro, pelo golpe midiático-jurídico-parlamentar contra Dilma. Assim, mais uma vez, são os trabalhadores,as trabalhadoras e o povo que tem que pagar a conta de outra crise cíclica do capitalismo. A Reforma Trabalhista, por exemplo, vendida como “modernização” da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), liberou terceirizações irrestritas, entre outras medidas que não cumpriram o prometido: gerar mais empregos e melhorar as relações de trabalho.

O QUE FAZER PARA REVERTER ESSE QUADRO?

Líderes sindicais de Ijuí e região são unânimes em afirmar que a data de hoje se faz necessária para refletir sobre a luta por direitos. “Que país é esse em que o povo trabalhador que movimenta a roda da economia está cada vez ganhando menos e com poucas expectativas de melhorar?”, questiona Neira Mello, dirigente do Sindicato dos Professores da Rede Pública Municipal de Ijuí (APMI-Sindicato), e complementa: “Não temos o que comemorar, mas precisamos unir forças e lutar por nossos direitos, pois o povo unido e nas ruas faz a diferença!”.

Ari Bauer, presidente do Sindicomerciários de Ijuí, lembra que há um ano os direitos trabalhistas ainda tinham garantias com a CLT mas, após a reforma trabalhista, as condições têm se deteriorado. “A qualidade de trabalho piora com o trabalho intermitente, sem falar da terceirização, que foi liberada e a possibilidade das mulheres gestantes trabalhar em lugares insalubres, horário de almoço de trinta minutos. Por isto, neste 1º de Maio, não temos o que comemorar, temos que denunciar e protestar”, observa.

Para Nancí Tânia Soares, delegada de base do Sindiágua/RS, não é possível admitir adaptações às leis com objetivo de ampliar a capacidade de dominação da elite. “A atuação sindical é fundamental, com objetivo de construir uma sociedade mais justa e igualitária, trabalhadores empregados, com salário   suficiente para atender suas necessidades básicas e manutenção das leis que protegem interesses da categoria garantindo a dignidade humana a todos, indistintamente”, complementa.

Para o movimento sindical em São Luiz Gonzaga, o momento é de união. Três dirigentes ouvidos pela reportagem, dos comerciários, municipários e trabalhadores da alimentação, destacam que as lutas são as mesmas, mudando apenas de endereço. No caso dos trabalhadores do Frigorífico Cotrijuí, a preocupação é com o cenário de crise. Apesar dos salários em dias, a planta está longe da sua capacidade de produção, trabalhando com pouca disponibilidade de matéria prima, explica Atanásio Santiago, presidente do sindicato.

Confira o posicionamento de outros líderes sindicais em áudio:

João Frantz, professor e Secretário de Relações Intersindicais do Sinpro Noroeste

Lucídio Neri Corrêa, Delegado Sindical do Sindiágua/RS, base Ijuí, Catuípe e Ajuricaba

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