Setor de serviços emprega 42% a mais que o comércio em Ijuí

Apesar do imaginário de cidade vocacionada às compras, são os serviços de saúde, transportes e educação que mais empregam no município

Quem chega a Ijuí pela BR-285, passando pelo conhecido Parque de Exposições Wanderley Burmann, avista logo um outdoor em letras garrafais: “IJUÍ – CENTRO REGIONAL DE COMPRAS”. É uma prévia das centenas de lojas que o visitante irá encontrar na cidade, principalmente na área central. Mais precisamente, são 2.281 lojas no município que integram o chamado comércio varejista, ou as lojas de rua, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Por essa razão, não é difícil identificar Ijuí como uma cidade voltada ao comércio. Em 1° de janeiro deste ano, 6.429 trabalhadores estavam registrados nas 2.557 empresas atacadistas e varejistas do comércio local. Sozinha, Ijuí responde por mais da metade do número de empresas e de empregos no setor do comércio em uma região com 15 municípios, segundo o MTE. No início deste ano, entre atacado e varejo, a microrregião contava com 4.743 empresas, que concentravam 12.487 trabalhadores em estabelecimentos comerciais.

Seja por questões culturais, ou até mesmo de apego às tradições sobre as quais Ijuí foi forjada, a ideia de que o comércio predomina na economia local é quase um consenso entre os cidadãos. Embora não haja dados concretos, é grande o número de moradores de cidades adjacentes e, portanto, menores – do ponto de vista populacional -, que veem em Ijuí uma terra de oportunidades, na qual o comércio é uma grande fonte de emprego.

O problema é que este conceito está cada vez mais equivocado, principalmente no que se refere à criação de vagas de trabalho. Segundo dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged), entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2018, o comércio de Ijuí fechou 38 postos de trabalho. Foram 3.265 admissões e 3.303 demissões. O comércio varejista contribui significativamente para este desempenho, com o fechamento de 68 vagas de emprego no mesmo período, e a demissão de 2.771 trabalhadores.

Serviços crescem a passos largos

Enquanto o comércio fecha vagas, o setor de serviços abre novos postos. Entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2018, 192 vagas foram criadas no setor. Além disso, os serviços empregam mais pessoas do que qualquer outra atividade econômica em Ijuí. Em janeiro deste ano, 9.177 trabalhadores estavam formalmente empregados nas 2.898 empresas existentes no município. O protagonismo de Ijuí nesta atividade econômica é ainda maior em comparação com os dados do comércio, já que a microrregião emprega um total de 12.679 pessoas em 5.477 empresas. Considerando-se as vagas apenas em Ijuí, o setor de serviços emprega 42% a mais que o comércio.

Número de trabalhadores formais nos dois setores em Ijuí

O destaque vai para os estabelecimentos de serviços em saúde, que tiveram 74 empregos novos no período, registrando um total de 2.485 trabalhadores. O setor dos transportes também teve bom desempenho, com a criação de 45 vagas, englobando 1.232 trabalhadores. Embora tenham fechado 24 vagas no período analisado, os estabelecimentos de ensino ainda têm peso importante na economia local, já que possuem 1.381 trabalhadores registrados formalmente.

Realidade estadual

Considerando a atividade econômica de todo o estado do RS, os serviços também levam vantagem significativa sobre o comércio. Em números absolutos, o comércio empregava, em janeiro deste ano, 602.530 trabalhadores, enquanto os serviços registraram 987.996 empregos formais.

Juntos, os dois setores foram responsáveis por mais de sete mil novos empregos entre fevereiro de 2017 e fevereiro de 2018 – sendo 3.320 nos serviços e 3.907 no comércio.

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