Manifestantes não aceitam acordo com prefeitura de São Borja e manifestações devem continuar

Ato contra aumento da tarifa está marcado para 9 de maio

Em uma longa reunião na tarde desta quarta-feira, estudantes da Unipampa e apoiadores das mobilizações contra o aumento da tarifa do transporte urbano decidiram não aceitar a proposta da prefeitura de São Borja de compor uma comissão para buscar uma solução para o problema em apenas 48h. A proposta da prefeitura foi feita durante reunião nesta manhã (transmitida ao vivo) entre representantes dos manifestantes, juntamente com prefeito, vice-prefeito e secretário de transportes da cidade de São Borja. De acordo com a proposta, seria formada uma comissão com participação de apenas duas pessoas indicadas pelos manifestantes, além da prefeitura, vereadores e Ministério Público. Os manifestantes avaliaram que esta composição e o exíguo período de tempo não seriam favoráveis para a construção de um projeto que pudesse beneficiar a população com a efetiva transformação das condições de transporte e, sobretudo, com a redução do preço pago após o reajuste. “Não podemos discutir algo tão complexo em apenas dois dias. E também queremos chamar a população, para que ela participe”, analisa Mateus, estudante de Serviço Social da Unipampa.

Fotos de Renata Contursi

A alternativa construída pelos manifestantes é uma agenda de mobilizações, que inclui a formação de comissões para diálogo com sindicatos, comerciantes, estudantes e populações afetadas pelo reajuste. A principal agenda é um ato público contra o aumento da tarifa do transporte público, no dia 9 de maio. A agenda de mobilização dá prosseguimento às atividades iniciadas na sexta-feira da semana passada, quando se iniciaram as primeiras tratativas para tentar negociar a redução do reajuste da tarifa do transporte.

Ocupação da calçada da empresa de ônibus foi encerrada com ação policial

Nesta quarta-feira, estudantes e apoiadores que permaneceram 24 horas contínuas na ocupação das calçadas do estacionamento da empresa Integração foram retirados à força  pela Polícia Militar. Durante a desocupação forçada das calçadas em frente aos portões da empresa de ônibus, um estudante disse para um policial que estava mais exaltado: “é pelas famílias dos policiais com salário atrasado que estamos lutando também. É pelas famílias pobres de vocês também”. Os estudantes se encontravam no local para impedir a saída dos ônibus, evitando a circulação do transporte público, com o intuito de pressionar para uma possível negociação acerca da redução do reajuste da tarifa, que entrou em vigor nesta semana. No fim da madrugada, um oficial de justiça fez a entrega da liminar de reintegração de posse, no horário previsto para a saída dos ônibus da garagem. Os estudantes pediram que fosse feita a leitura em voz alta e, após discutirem com os participantes da mobilização, decidiram não se retirar do local. A Polícia Militar foi acionada e usou gás de pimenta e cassetetes contra os manifestantes.

“Chegou um certo momento que a polícia foi coerciva com a gente, usou spray de pimenta, usou de truculência”, relata o acadêmico Mateus. Um dos estudantes foi conduzido à delegacia por “imputação”, ou descumprimento da ordem judicial. Após o registro de um Termo Circunstanciado, o estudante foi liberado, conforme o vereador Carmelito Amaral (PT), que se fez presente no local. Os alunos da Unipampa e apoiadores partiram em caminhada até a delegacia, onde pressionaram pela liberação do estudante. Mais uma vez, um motorista fez ameaças com a utilização de uma faca, incidente também registrado em vídeo pelos estudantes.

Os estudantes convocaram o apoio da população através de mídias sociais e se dirigiram à prefeitura, onde esperaram por cerca de 1h30 até conseguir uma reunião com o prefeito e secretários envolvidos. “Várias pessoas demonstraram seu apoio com as mãos ou com buzinas durante todo o trajeto”, conta a estudante Yasmin Ialuny. A realização da reunião já é considerada um avanço pelos estudantes, pois a comunidade teve a oportunidade de discutir o assunto do transporte público na cidade. O secretário municipal dos transportes, Damião Ribas, ao receber a negativa da comitiva formada para dar a resposta dos manifestantes, disse que espera que as ações sejam como a reunião realizada durante a manhã, com “diálogo de alto nível, pois fora aquela reunião, tivemos momentos que não foram de respeito”. Cesar Beras, professor da Unipampa e apoiador do movimento, contraria a perspectiva do secretário e diz que os problemas existiram em decorrência da violência contra os manifestantes.

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