Caronas, caminhadas e bicicletas: o protesto contra o aumento da tarifa na ida à universidade

Em mobilização silenciosa, estudantes combinam ações para evitar o uso de transporte público em São Borja

Participantes das manifestações contra o aumento da tarifa em São Borja dão prosseguimento a ações de protesto nos dias posteriores à interrupção violenta da ocupação do estacionamento da empresa Integração, responsável pelo transporte público na cidade. Nesta quinta e sexta-feira, o protesto aconteceu de forma silenciosa, com pedidos de carona, grupos de ciclistas e caminhadas coletivas até a universidade, para evitar o uso dos ônibus. As ações são combinadas em redes sociais e adaptadas por indivíduos em seus percursos para aulas e atividades acadêmicas.

“Eu fui para o ponto de ônibus e levei uma plaquinha dizendo ‘UNIPAMPA’, e abaixo, menor, R$ 3,50 é roubo. Eu estava tímida, no início, porque tinha várias pessoas no ponto, mas quando as pessoas leram começaram a me dar palavras de incentivo e disseram que discordavam da atitude da prefeitura de permitir este aumento e de não revogá-lo”, contou a estudante Yasmin Ialuny, participante das manifestações. A acadêmica da Unipampa contou que “vários carros mostravam curiosidade para ler, mas não paravam. Até que parou uma senhora e perguntou se eu andava de moto. Eu falei que sim e ela disse que me levava. Ela disse que ela não anda de ônibus, mas a filha anda e as pessoas ao redor dela também e ela achava um descaso, porque os ônibus estão bem ruins”.

Pedido de carona é acompanhado de frases de protesto contra o aumento da tarifa

Jonathan Karter, estudante de jornalismo, também aderiu ao protesto, e vai a pé à universidade. A ação é vista como forma de protesto e tem caráter provisório, dada a distância da universidade em relação ao local de residência da maioria dos estudantes. “É cansativo, cerca de uma hora do centro até a universidade, exige que a gente saia da nossa zona de conforto, mas não concordamos com o valor absurdo da passagem com ônibus péssimos. Alguns motoristas oferecem carona para a gente durante o trajeto”, relata Humberto Demoly Vigo, estudante de Publicidade da Unipampa.

Grupos no Facebook são usados para a articulação de grupos de caminhada ou ciclismo para  a ida à universidade.

Atos públicos são previstos para 30 de abril e 9 de maio

Na quarta-feira, a Brigada Militar fez a retirada à força dos manifestantes, que estavam em frente aos portões da empresa com o intuito de impedir a saída dos ônibus. A prefeitura propôs a composição de uma comissão, para buscar uma solução em até 48h, medida que foi rejeitada pelos manifestantes por julgarem o tempo insuficiente, devido à complexidade do tema. Na ocasião, os manifestantes prometeram continuar mobilizados. O acesso alternativo ao campus é uma destas formas de mobilização. O Bloco de Lutas pelo Transporte Coletivo de São Borja também vai organizar um ato na véspera do Dia Internacional do Trabalhador, na próxima segunda-feira, 30 de abril, e um grande ato de mobilização contra o aumento da tarifa, no dia 9 de maio.

O objetivo dos organizadores do ato desta segunda, 30 de abril, é reunir os trabalhadores na saída de seu local de trabalho, com atividade na Praça XV de Novembro, a partir das 17h. “No feriado, os trabalhadores estão descansando em casa e, além disso, já é prevista a isenção da passagem de ônibus, dificultando a visibilidade da problemática do aumento da tarifa do transporte”, avalia a estudante Hallana Vitória, membro da comissão de comunicação do Bloco de Lutas, sobre a realização do ato na segunda-feira.

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One comment

  1. Muito bem, continuem mobilizados. Ñ faço uso do transporte coletivo, uso carro ou bicicleta mas apoio o movimento. Vou de bike no dia 30 ao parcão acompanhar a caminhada.

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